Demasiado Humano - Fotografias na Coleção Joaquim Paiva Exposição Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
30 set - 26 nov 2006 3º andar - Espaço 3.3 - 800 m2

 


Retrato de um Parakanã (Pará).1995.Carlos Terrana.
Técnica : Clicado com cromo 35mm, reproduzido com Polaroid e transferido durante a revelação, por contato, para papel fabriano.

A Coleção

O começo da coleção de fotografia brasileira contemporânea de Joaquim Paiva se deu a partir de 1981. A motivação surgiu através de uma rica produção fotográfica muito variada, para além do fotojornalismo, modalidade de fotografia dominante nos meios de comunicação.

A produção contemporânea foi uma escolha pelas questões da atualidade. Uma época em que o Rio de Janeiro então capital da República, nos anos 50 e 60, marcada por uma valorização do "nacional" como o Cinema Novo, a Bossa-Nova e o Tropicalismo, numa cidade que pensava o Brasil, e não a si mesma.

Para Joaquim Paiva o tempo só faz tornar mais misteriosa e fascinante a fotografia, tão ligada ao presente e ao momento. Apenas tomada, uma fotografia torna-se passado, lembrança, rastro de nossa passagem.

Entre os primeiros fotógrafos que deram forma à coleção encontram-se Miguel Rio Branco, Mário Cravo Neto, Sebastião Salgado - que ingressaram no cenário internacional nos anos 70 - ou Alair Gomes e Orlando Brito, já então conhecidos. Muitos outros foram sendo incorporados: figuram na coleção nomes fundamentais de diversas tendências, como Pierre Verger, com sua documentação do homem negro, entre ao anos 30 e 60, ou Geraldo Barros, que ao final dos anos 40 passou a experimentar os limites da linguagem, buscando novas formas para responder ao espírito moderno. Veteranos como Claudia Andujar, José Medeiros, Nair Benedicto, Thomaz Farkas ou Walter Firmo. Artistas que despontaram sobretudo ao longo dos anos 90, como Rosângela Rennó, Rochelle Costi, Paula Trope ou Carlos Fadon Vicente, que desenvolvem uma fotografia artística em sintonia com a produção européia e norte-americana. Além de novos valores como Eustáquio Neves, Ferndo Laszlo, Jair Lanes, Roberto Stelzer ou Vicente de Mello, que rompem com a fotografia tradicional.

A qualidade e pluralidade de trabalhos e tendências têm sido o critério básico na coleção, que cresceu muito e compreende hoje mais de 1090 imagens de 150 fotógrafos brasileiros, quase todos vivos. A maior parte das fotografias é em preto-e-branco, mas há muitas imagens a cores e de formatos e tamanhos variados. Diversas leituras temáticas são possíveis na Coleção, tendo em vista o seu volume.

A diversidade do acervo e a percepção do colecionador com respeito à visualidade contemporânea - tendo contribuído para isto, em boa medida, a vivência internacional do Joaquim Paiva - fazem desta uma coleção ousada em nosso país. Como colecionador e artista, Joaquim Paiva defende sempre a liberdade de criação e a coragem de inovar.

Para Joaquim Paiva cabe-lhe tomar decisões quanto ao conteúdo e ao rumo que melhor deve dar à sua coleção. O colecionador vem habitualmente incorporando à coleção trabalhos de novos fotógrafos e revisitando os de alguns outros já presentes nela, cujas obras lhe parecem especialmente criativas e importantes para a evolução da fotografia brasileira. Por isto, tem adquirido obras de fases diversas de um mesmo fotógrafo.

 

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