A imagem fotográfica como vetor da conscientização ambiental nos idos de 1871.

A história de um fotógrafo, um pintor, um lugar espetacular no oeste americano e como a fotografia foi utilizada como instrumento de argumentação e comprovação da verdade na proposta de criação do primeiro Parque Nacional do mundo - o P.N. de Yellowstone.


O fotógrafo
Willian Henry Jackson.
Suas fotos influenciaram
o Congresso Americano.




O fotógrafo Willian Henry Jackson, que participou da expedição geológica de Ferdinand V Hayden, entre 1871 e 1872, ficou conhecido como sendo um dos primeiros a fotografar a região de Yellowstone, no oeste dos Estados Unidos. Suas imagens, junto com as aquarelas e desenhos do pintor Thomas Moran, ajudaram a convencer o Congresso Americano que, Yellowstone deveria ser de alguma maneira preservada.

Desenhos e relatos exagerados sobre alguns lugares no oeste americano.
Por aproximadamente 40 anos, exploradores e artistas já haviam falado e contado histórias , criados desenhos representando um diferente lugar nas Montanhas Teton, no Território Wyoming, onde água quente brotava do chão, como nascentes em formações coloridas, com canyons entre formações bizarras de formações rochosas e geysers explodindo das profundezas da terra. Entretanto, tanto os relatos como os desenhos eram considerados exagerados, pois até então poucas pessoas teriam chegado à aquelas regiões e visto ao vivo aquelas cenas.

Ferdinand V. Hayden organizou a expedição ao Yellowstone.

Expedições
Após a Guerra Civil, várias expedições foram realizadas em direção ao oeste americano, com a finalidade de exploração, pesquisa geográfica e geológica. Ferdinand Hayden já havia comandado outras expedições e nunca havia levado um fotógrafo. Dois anos antes (1869), Willian Henry Jackson estava fotografando a construção da nova estrada de trem "Union Pacific Railroad", quando suas fotos despertaram a atenção de Hayden.

Laboratório portátil de Jackson pouco antes de integrar a expedição.
Jackson já possuía um laboratório portátil pouco antes de integrar a expedição.

Promessa de muita aventura, de graça.
Jackson foi procurado por Hayden e questionado se gostaria de acompanhar e documentar a expedição ao Yellowstone sem ganhar nada, mas com promessa de muita aventura, com despesas de alimentação, abrigo e transporte por conta da expedição.




WilliaM Henry Jackson preparava os negativos e revelava nos locais das fotos.

 

Primeiros fotógrafos, pioneiros e autodidatas.
Como um fotógrafo profissional nos idos de 1870, Jackson deveria dominar e manipular todo o processo fotográfico sozinho. Desde a composição, foco e exposição da imagem, como sensibilização do negativo ou "plate" e a revelação do mesmo. Na maioria das vezes Jackson utilizava o processo "wet-plate" ou collodion processing, que requeria realizar o emulsionamento da placa de vidro e a revelação, no próprio local da foto, logo após o click, pois a emulsão não poderia secar antes de revelá-la. Mesmo assim, isso lhe dava a vantagem de ver a imagem em seguida, fazendo ajustes, até conseguir o resultado desejado.



Muito equipamento.

Para todo esse trabalho era preciso carregar muita tralha para o local das fotos, chegando fácil aos 50 kilos: duas ou tres cameras tão grandes como uma televisão antiga; pelo menos 100 chapas de vidro para servirem de negativos; uma variedade de lentes, tripés, para cada camera, uma barraca para servir como laboratório; vários produtos químicos, além de um kit de ferramentas para alguma emergência com o equipamento.


Henry Jackson (esq.) arrumando seu equipamento. 50 kilos.



foto de um grupo de homens da expedição Hayden em 1870.
Grupo de pessoas integrantes da expedição Hayden. 1870.


Negativos de vidro em grande formato, uma riqueza de detalhes nas imagens.

Marketing planejado nos enquadramentos.
Ao fotografar as formações geológicas de Yellowstone, Jackson também teve que pensar sobre a estética e o impacto promocional das suas imagens. Ele foi instruído para realizar um trabalho artístico e robusto, com imagens de impacto, que pudessem ser enviadas ao Congresso Americano e divulgadas ao público, conforme interesse do próprio Ferdinand Hayden, organizador da expedição.

Luz, texturas, composição e ângulos. Tudo a favor da mensagem.
Na imagem da "Lower Falls", Jackson escolheu por fazer a foto de um ângulo em que o observador se sentisse pequeno e vulnerável. O uso de uma composição apurada, grandes contrastes entre claro e escuro, ajudaram a enfatizar o aspecto monumental da cena. O nível de detalhamento das imagens, proporcionado pelos negativos de grande formato, produzia um exelemte resultado nas ampliações, de estimado valor para o meio científico e estético da época.


A figura humana colocada estratégicamente na foto de W.H.Jackson.

Sob a influência do pintor Thomas Moran, fotografia e pintura se somaram.
As fotografias de Jackson lembram muito o trabalho do pointor Thomas Moran e não é coincidência. Moran se juntou a Jackson na expedição Hyden como convidado. Os dois logo se tornaram parceiros e compartilhavam idéias como composição e pontos de vista das paisagens e ângulos a serem explorados. Moran ajudava Jackson a colocar sua camera de grande formato em locais estratégicos, para melhores tomadas. Em contrapartida as imagens de Jackson ajudaram Thomas Moran a finalizar as suas pinturas e aquarelas, com mais calma depois de retornar da expedição.

Pintura de Thomas MorePintura de Thomas Moran.

Aquarelas e fotografias como lobby.
Como nenhum membro do Congresso Americano havia visto Yellowstone, Hayden e sua equipe, levaram as fotos de Jackson e aquarelas de Tomas Moran lá e organizaram uma exposição do material. O impacto causado pelas fotos de Jackson foi tão grande que o Congresso designou Yellowstone como o primeiro parque nacional ( do mundo) , e que o presidente Grant transformou em lei em 1 de março de 1872. Em 1973, o Departamento do Interior realizou 37 "prints" das fotografias de Jackson e presenteou o Congresso, com a intenção de pedir mais verbas para futuras expedições para o oeste americano.

Willian Henry Jackson

W.H.Jackson. Fotógrafo.

 

 




Os geysers representavam um desafio para o equipamento e emulsões rudimentares do fotógrafo. Esta imagem de 1872, foi considerada por Jackson sua melhor foto.

foto atual da mesma região . (fotógrafo desconhecido).

 
thomas moranThomas Moran, o pintor oficial da expedição, percorreu o Yellowstone junto com Jackson à procura ângulos para as fotos e as pinturas.

William Henry Jackson. Liberty Cap, Mammoth Hot Springs, 1871
Yellowstone.

Pintura de Thomas Moran do mesmo lugar. Liberty Cap, Yellowstone 1871.
 

Fotografia stereo ajuda a popularizar as imagens do Parque Nacional.

A stereofotografia é feita com uma câmera de duas lentes, posicionadas mais ou menos à 2,5 polegadas de distância, onde as duas imagens captadas reproduzem a visão de nossos olhos. Assim, na hora de visualizar a foto dá a impressão de estar em 3D.

Ná época, foram produzidas várias fotos do Parque Nacional, com essa novidade tecnológica, para poder despertar a atenção da sociedade para aquele lugar diferente e desconhecido da maioria dos americanos.

 


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